- Luísa?
A única resposta que aquela porta entreaberta me deu, foi um silêncio insinuante.
Estaria tudo bem com Luísa?
Após vencer meu receio inicial, decidi entrar e observar o que se passava. Quando dei por mim, já estava no quarto de Luísa. Ela havia se esquecido de trancar o diário.
Ninguém no quarto, mas pela janela a vi no jardim absorta a ouvir uma música e lendo algo. Sim, ela realmente havia se esquecido de trancar o diário, e ali estava ele sobre a cama enviando-me curiosidades, vontades e temores.
Ali sobre a cama estava sua vida. O resumo de sua ópera. Quantas coisas que não sabemos da vida dos outros!
Como é que eu fazia parte desse quadro? Ainda assim, existem coisas que não devemos saber...
- Para que olhar? - Pensava eu, tentando enganar o meu impulso de olhá-lo.
Pensamos uma coisa a nosso respeito, mas na verdade somos o que os outros pensam de nós (embora a realidade seja como nós procuramos saber, de nós mesmos). O que eu seria?
Passos no corredor.
Obrigado, Luísa por ter retornado! Por mais insano que fosse o meu desejo de olhar aquela jóia, educadamente me contive (afinal, o que espera-se de um pai que olha o diário da filha?).
Seu diário continua aberto na mesma página. Vamos embora, passear para você escrever outra página.
- Ei, o que é esse coração em seu diário?! - Mistérios...
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