Mas que calor... Aquele era mais um dia de trabalho naquele prodígio de cidade. O termômetro ultrapassaria facilmente os 40ºC. Claro que as pessoas se derretiam em meio àquela areia escaldante.
- O projeto, como anda? - Perguntava aquele esbaforido senhor de feições atípicas.
- Bem, é mais uma pirâmide. Acho que isso já é o suficiente, certo? - Respondeu o jovem trabalhador, apontando para o escriba mais próximo.
- Levar lucro, é a filosofia íntima dessa empresa. - Disse o obediente escriba.
- Exato... acho que o Faraó não se pergunta mais o porquê das pirâmides...
A indústria imobiliária há de ser bem antiga, e os grandes empresários descendentes do senhor de feições atípicas. Certo que algum tempo se passou desde então e muitos Negócios da China foram feitos.
- Que bela essa cidade! - exclamou o turista à beira-mar.
- É, e em 2016 imagina só como vai estar... - disse um rapaz.
- Ah, o turismo... - o turista contava algum pouco dinheiro que carregava.
- Se pelo menos gerasse algum tipo de emprego real... Meu "trampo" vai estar garantido por um tempinho. O perfil do turista que vem para cá é o daquele que vem fazer o que não pode no país dele, só.
- A essa altura deve estar fazendo muito frio no meu país...
- Além disso, quando o turista volta pro seu país após o evento, nos deixa de presente a violência e a prostituição.
- Ah, mas é muito bonita a cidade, né?
- Já quis morar por aqui?
- Não gosto de passar a vida toda olhando para pirâmides.
O silêncio permeou aqueles dois à beira-mar. O rapaz, absorto a vista daquela linda e triste pirâmide pensou:
- Realmente, entre a Copa do Mundo e as Olimpíadas deve surgir uma gripe caprina ou crustácea. Quem sabe até as próximas eleições não apareça um muro de areia por aqui?
Com certeza os construtores de pirâmides já tinham a estrutura para os Jogos Olímpicos pronta em Barcelona e Chicago, mas isso não geraria mais lucro para eles.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Vida Enredo
O silêncio naquele café da manhã foi quebrado por um pensamento alto daquele pai:
- "Deem-me o supérfluo e dispensarei o necessário!"
- Caraca, pai! De onde saiu esse pensamento e por quê?
- Não me lembro de quem é essa citação, só sei que cada vez mais eu penso nela, me indago se a vida em si é o necessário ou o supérfluo...
- Acho que vivemos por necessidade, tentando ver a glória, o sucesso, enfim, a felicidade no supérfluo.
- ... ou será que a vida foi criada num momento de diletantismo para preencher algum vazio. Quem sabe não seremos nós os supérfluos?
- Vai chegando o Carnaval e meus óculos vão ficando cor-de-rosa!
- Acho que é o Verde Rosa chegando para partir...
- Aí, pai, vai pra onde nesse Carnaval?
- Tanto faz. Há algum tempo vi uma foto dos anos 70 de uma pichação num muro que dizia "povo quer pão e libído" (perdeu a rima porque a palavra foi trocada por um sinônimo).
- O pão nosso está mais incerto a cada dia, mas a orgia, com toda certeza, acontecerá em Fevereiro. Será que dessa vez farei parte dessa orgia, ou será que mais uma vez acompanharei tudo pela telinha?
Realmente, o melhor da festa é esperar por ela. As máscaras caem e o limão só abre alas para a Manga Rosa. Mal ou bem, o próximo Carnaval não pode ser igual a esse que passou.
- "Deem-me o supérfluo e dispensarei o necessário!"
- Caraca, pai! De onde saiu esse pensamento e por quê?
- Não me lembro de quem é essa citação, só sei que cada vez mais eu penso nela, me indago se a vida em si é o necessário ou o supérfluo...
- Acho que vivemos por necessidade, tentando ver a glória, o sucesso, enfim, a felicidade no supérfluo.
- ... ou será que a vida foi criada num momento de diletantismo para preencher algum vazio. Quem sabe não seremos nós os supérfluos?
- Vai chegando o Carnaval e meus óculos vão ficando cor-de-rosa!
- Acho que é o Verde Rosa chegando para partir...
- Aí, pai, vai pra onde nesse Carnaval?
- Tanto faz. Há algum tempo vi uma foto dos anos 70 de uma pichação num muro que dizia "povo quer pão e libído" (perdeu a rima porque a palavra foi trocada por um sinônimo).
- O pão nosso está mais incerto a cada dia, mas a orgia, com toda certeza, acontecerá em Fevereiro. Será que dessa vez farei parte dessa orgia, ou será que mais uma vez acompanharei tudo pela telinha?
Realmente, o melhor da festa é esperar por ela. As máscaras caem e o limão só abre alas para a Manga Rosa. Mal ou bem, o próximo Carnaval não pode ser igual a esse que passou.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Antes de mim, só eu
"A paz naquele pequeno bosque foi quebrada naquela tarde. Um princípio de incêndio ameaçava toda a fauna e flora. Um pequeno e esbaforido colibri voava repetidas vezes até um riacho próximo, enchia seu frágil bico com água e jogava sobre as chamas.
Ao ver aquilo um debochado Tucano comentou:
- Aí, cara! Nem que todos nós façamos isso conseguiremos apagar esse incêndio. Isso não é nossa obrigação e, além do mais, existem outros bosques para habitarmos.
- Não tem problema. estou só fazendo a minha parte..."
Tal qual o colibri dessa estória, em nosso país, mesmo que todos os cidadãos ponham a ética acima de tudo e cumpram com seus deveres (em suma, faça sua parte), não conseguiremos jamais resolver nossos problemas tanto coletivos quanto pessoais,
Por isso somos impelidos a fazer nossa parte pessoal. A figura do "cara esperto", descolado e que sempre se dá bem é reverenciada e encorajada, tornando-se cultural e, portanto normal, para nós agirmos com um certo egoísmo.
De fato, a própria historiografia foi construida sob a visão de aventureiros lançando mãos. Desde as civilizações mais primitivas, levar vantagem se consolidou como uma questão até mesmo de sobrevivência. O caráter altruísta e coletivista do homem só se manifesta quando os interesses precisam partir desse ponto.
Um da aprenderemos que agindo com esperteza nos daremos bem em um número limitado de situações, ao passo que quando se age com inteligência as benesses podem ser para a vida toda. Até lá, vamos usufruir dessas breches que ainda temos em nosso cotidiano e continuar tentando levar vantagem em tudo, certo?
Ao ver aquilo um debochado Tucano comentou:
- Aí, cara! Nem que todos nós façamos isso conseguiremos apagar esse incêndio. Isso não é nossa obrigação e, além do mais, existem outros bosques para habitarmos.
- Não tem problema. estou só fazendo a minha parte..."
Tal qual o colibri dessa estória, em nosso país, mesmo que todos os cidadãos ponham a ética acima de tudo e cumpram com seus deveres (em suma, faça sua parte), não conseguiremos jamais resolver nossos problemas tanto coletivos quanto pessoais,
Por isso somos impelidos a fazer nossa parte pessoal. A figura do "cara esperto", descolado e que sempre se dá bem é reverenciada e encorajada, tornando-se cultural e, portanto normal, para nós agirmos com um certo egoísmo.
De fato, a própria historiografia foi construida sob a visão de aventureiros lançando mãos. Desde as civilizações mais primitivas, levar vantagem se consolidou como uma questão até mesmo de sobrevivência. O caráter altruísta e coletivista do homem só se manifesta quando os interesses precisam partir desse ponto.
Um da aprenderemos que agindo com esperteza nos daremos bem em um número limitado de situações, ao passo que quando se age com inteligência as benesses podem ser para a vida toda. Até lá, vamos usufruir dessas breches que ainda temos em nosso cotidiano e continuar tentando levar vantagem em tudo, certo?
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