Ricardo chega a uma festa e é apresentado à Bárbara, que estava ouvindo MP3.
- Ei, é você que gosta daquele tal de Rock Progressivo? Estou ouvindo Nirvana. É verdade que o Kurt Cobain morreu?
- Muito engraçadinho! Será uma piada? - indagou-se Ricardo.
- Cara, a Bárbara é a garota na medida para você! Ela é jovial, adora dançar, curte pops e adora a "night". Ela tem 34 aninhos e com certeza vai dar certo.- Realmente, muito "feliz" a Bárbara! - pensou Ricardo em voz alta.
- Não, impossível. Nenhuma "paixão arrasadora" me deixaria doido a ponto de abrir mão da minha coleção de Rock Progressivo. - dessa vez, reservou para si, enquanto analisava a moça.
Nada a ver com um cara que gosta desse gênero musical. O que Bárbara falaria quando Ricardo botasse a tocar Emerson, Lake & Palmer ou Rush? E o mais estranho: em LP! Sim, o rapaz ganhou uma coleção de LP's de Rock Progressivo de seu pai. Ele curtia o Gentle Giant, o King Crimson e aí por fora.
- As garotas de hoje em dia estão iguais no mundo inteiro! Todas em MP3 ou MP4. Poucas são iguais a LP's, que tinham capa e encarte...
Sua ex-namorada, a Valéria, até que gostava de Heavy Metal. Ela entrava em transe ao ouvir a voz do Robert Plant, do Led Zeppelin. Um dia, a Valéria queria ouvir Painkiller (Judas Priest) e ele queria ouvir o álbum "Relayer" do Yes.
- You say Yes?! I say Oh, No!
Ele não gostou do trocadilho e Valéria dançou. Bem capaz de ela ter ido ao show do AC/DC...
Ele tinha um LP de um grupo italiano chamado Maxophone, que na época só seu pai tinha no Brasil. Realmente, o Ricardo orgulhava-se muito daquela coleção. Ele achava que naquele tempo ainda havia vida inteligente até no Rock.
Tinha muitos grupos alemães (Eloy, Tangerine Dream, Neu), italianos (Banco, Le Orme, PFM) e até franceses (Magma). Suas vozes favoritas eram da Annie Haslam (Renaissance) e Peter Hammil (Van der Graaf Generator).
- Deixa pra lá, com certeza minhas músicas não farão Bárbara voar!
Entre voar e dançar, Ricardo preferiu primeiro "dançar" para continuar voando. Paixões não são todas iguais, e uma a uma o fazia cada vez mais dono de seu coração solitário.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
C'est si bon, Peri!
Ao longe da praia, investidores celebram em suas caravelas com euforia: "Terra à vista!". Enquanto isso, as lindas indiazinhas levantam-se e começam a dançar e cantar: "E a prazo, longo prazo também!"
Por mais que o Brasil tenha sido descoberto e recebido de bom grado por outras nações durante séculos, a essência desse frágil gigante passou a ser um estorvo. Uns falam "em se plantando, tudo dá" e outros entenderam "em se explorando tudo, tiraremos a longo prazo".
Sim, o Brasil é uma fonte e se demorarmos muito para descobrí-la, um dia se secará e sua essência se perderá para sempre. Difícil será saber quem realmente ganhou com isso. Aliás, nessa vida nada se ganha nem se perde, tudo pode ser aproveitado da maneira que dê mais lucro.
A descoberta do Brasil agora tem que ser relacionada às novas possibilidades de futuro para sua sociedade. É possível agricultura, pecuária e (por mais contraditório que possa parecer) desmatamento sustensáveis, mas nessa terra tudo que se planta custa caro.
Mudanças agora não podem visar só um setor social ou econômico e tal descoberta deve ser diferente da que ainda é sofrida pelo Brasil, afinal, suas riquezas são maiores do que extrativismo ou exploração econômica. Acho que o gigante está com insônia, mas o Saci já se mudou para muito longe e não poderá cantar-lhe uma canção de ninar.
Por mais que o Brasil tenha sido descoberto e recebido de bom grado por outras nações durante séculos, a essência desse frágil gigante passou a ser um estorvo. Uns falam "em se plantando, tudo dá" e outros entenderam "em se explorando tudo, tiraremos a longo prazo".
Sim, o Brasil é uma fonte e se demorarmos muito para descobrí-la, um dia se secará e sua essência se perderá para sempre. Difícil será saber quem realmente ganhou com isso. Aliás, nessa vida nada se ganha nem se perde, tudo pode ser aproveitado da maneira que dê mais lucro.
A descoberta do Brasil agora tem que ser relacionada às novas possibilidades de futuro para sua sociedade. É possível agricultura, pecuária e (por mais contraditório que possa parecer) desmatamento sustensáveis, mas nessa terra tudo que se planta custa caro.
Mudanças agora não podem visar só um setor social ou econômico e tal descoberta deve ser diferente da que ainda é sofrida pelo Brasil, afinal, suas riquezas são maiores do que extrativismo ou exploração econômica. Acho que o gigante está com insônia, mas o Saci já se mudou para muito longe e não poderá cantar-lhe uma canção de ninar.
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