O dia esta se esvaindo e de repente estava eu, apenas um humano, comum, mortal e de encontro comigo mesmo. Arrisquei uma pergunta:
- Tem alguém aí?
Um silêncio debochado foi tudo o que tive como resposta. Juro ter ouvido um risinho maroto.
Toc! Toc! Toc! Opa, agora era de verdade. Alguém estava batendo e o som vinha... de dentro do meu corpo?
- Quem é você? O que quer de mim? Apareça!
- Rego, Walter Rego. Infelizmente, não posso me mostrar pois não tenho existência, apenas localização. Eu continuo a viver por você quando está inconsciente. Ou seja, você vive o dia a dia e eu vivo o sonho a sonho, pesadelo a pesadelo.
- Vai dormir!
- Não durmo.
Mais cedo ou mais tarde aquilo aconteceria: o dia em que confrontaria a mim mesmo. Teria que lutar comigo? Seria possível domesticar o meu ser? Todos temos segredos que não contamos nem a nós, temores que nos acompanham pela vida toda e sonhos que sabemos que nunca se realizarão.
- Lembra que antes de nascer, você assinou um contrato? Agora não adianta querer rever as cláusulas!
- Achei que fosse óbvio tentar modificar algumas cenas...
- ... os nossos óbvios são diferentes, entendeu?
- "Marromeno"...
- O cheque mate vai ficar para o próximo pesadelo, bonitão.
- Tá, então. Tchau! Um "cardiósculo"!
- Calma aí! Não é bem assim.
- Por que não volta para seu lugar e voltamos a viver como dois?
- Nem pensar! Como é que você vai viver sem suas fantasias? Por falar em fantasia, naquela selva...
- Tá bom, podemos viver como Tarzan e Jane.
- Só uma coisa: mim Tarzan, tu Jane! HAHAHAHA