quinta-feira, 30 de julho de 2009

Antes mal acompanhado do que só

A televisão é, para os telespectadores em geral, mais do que um aparelho eletrônico: é uma espécie de guia comportamental. Ainda que a programação esteja limitada à proliferação dos padrões impostos para alguns (que não necessamente correspondem à realidade), a população em sua maioria adota esses padrões porque é socialmente conveniente para seus adeptos.
Podemos comparar a "telerrealidade" aos mapas Planisfério (nos quais, devido à esferacidade da Terra, não a retratam de maneira exata), e em ambos as distorções estão presentes e crescentes.
A televisão deixa um pensamento pronto para quem assiste. Mais do que isso: às vezes ligamo-la, mesmo sem prestar atenção, em busca de uma companhia.
- Aonde foi que deixei o controle remoto?
É irônica a situação criada pela T.V. (não o aparelho, mas o que está por trás dele): temos um controle remoto na palma de nossas mãos e, em algum lugar remoto, alguém nos espreita e nos controla na palma de suas mãos.
Por fim, observe que uma propagando subliminar exibida cem vezes torna-se realidade.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Uma bruxa, por favor!

Quando nós brasileiros pensamos num idioma estrangeiro, a ideia é: "Bom, espanhol porque habitamos a América Latina. Inglês porque habitamos o Planeta Terra".
Um antigo livro de inglês se chamava "Quick and Easy", o que prova que o ser humano é cada vez mais fascinado pelo que é rápido e fácil na esperança que isso lhe deixe com mais tempo de ser feliz.
O nosso idioma é o mais complexo para um estrangeiro falar bem, ao contrário do inglês, que é um idioma "right to the point" (direto ao ponto). Com poucas aulas já é possível tentar uma conversação.
Com um idioma que soa bem musicalmente, letras e melodias fáceis que ficam no subconsciente, uma dança idem torna-se rápido o consumo. Ainda bem que o Chico e o Caetano não fazem letras assim!
Adquirir o gosto pelas "iguarias" americanas é quase óbvio pelo forte apelo à diversão e à brincadeira (o que não deixa de ser).
O "nosso" futebol é um esporte movido pela paixão. É o único esporte em que a partida pode terminar em 0 x 0. O futebol americano, bom: o ingresso custa $3, hambúrgueres e cachorros-quentes $2, a Bud $2.
O americano vai ao estádio não exatamente para torcer, mas para beber, encontrar os amigos e contar piadas. Esse é o barulho que se ouve das arquibancadas. Volta e meia tem um órgão que avisa aos "torcedores" que algo importante vai acontecer.
O nosso folclore também é muito complexo e, mais cedo ou mais tarde, será mais fácil comemorar (consumir) o Halloween.
E pensar que, por mais que não existam bruxas em nossa cultura, aceitamos de bom grado se isso nos fazer parecer "legal". As culturas mudam de nome e aceptores, mas a necessidade de dominação do homem é constante, seja por papéis de bala ou bruxas. "Gostosuras ou travessuras?" Eis a questão.

sábado, 11 de julho de 2009

Jovem, mas até quando?

Ao nascer, nosso ato de escolher é extremamente restrito, mas passa a tomar proporções dantescas a partir da juventude, que também é quando adquirimos uma responsabilidade maior sobre o que fazemos e deixamos de ter um adulto guiando certas decisões.
As dificuldades em decidir o caminho que será seguido se concentram na mudança súbita de um estágio no qual tudo era pré-definido por outros, para a necessidade de tomar as rédeas do próprio rumo e ainda respeitar os limites da liberdade (sua liberdade termina aonde começa a liberdade dos outros).
O medo da crueza e da competitividade desse assustador novo mundo torna-se o novo "bicho papão" dos que cresceram fisicamente, o que impacta diretamente nas suas escolhas.
A decisão é paralela à incerteza e a vida por si só é indeterminada, que tem o amanhã como sua maior e mais fascinante incógnita. Deixamos o presente passar em branco muitas vezes justamente por estarmos tão presos ao futuro.
Um dia, talvez, teremos saudades do que não aconteceu e venhamos a desejar ser jovens novamente.
"Laissons l'avenir venir! Que sera sera..." (Deixemos o futuro chegar! O que será será - música do filme O que será, será).

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Saudades daquele futuro

O homem, até aonde sabemos, é o único ser que transforma o meio ambiente de acordo com a sua convivência. Como consequência, depois terá que se adaptar a essas mudanças.
Os avanços tecnológicos priorizam o indivíduo, não a humanidade. Dispensa-se comentários sobre o tratamento dado ao meio ambiente.
É facilitando o cotidiano do consumidor, fazendo com que ele não dependa tanto de um convívio social e gerando uma espécie de solidão. Não que seja ruim viver só, mas nascemos para consumir e não exatamente para usufruir.
Progresso e exclusão caminham sempre juntos. Quem não tem condições de se incluir (consumir), fica à margem. Isso é o que gera muitos dos conflitos sociais e, por conseguinte, a violência de hoje.
Não podemos usufruir de certas coisas de algumas décadas atrás e nem dos avanços tecnológicos de hoje de uma forma plena por causa da violência (não somente urbana). É possível adaptar-se à violência?
A ordem é: progresso! Não importa o quanto tenhamos que retroceder.
Sempre procuramos ideias de vida em filósofos do passado. Hoje em dia, tais quais nossas máquinas, temos que ser cada vez mais rápidos, eficientes e competitivos. Por vezes, não nos sobra tempo para questionar nem sermos felizes.
Apesar de tudo, ainda há tempo de o ser humano concretizar a convivência harmoniosa de seu progresso material com as benesses daquela vida tranquila, gerando uma espécie de felicidade tal qual idealizávamos quando pensavamos em futuro. Mas isso é o que todos querem?