sábado, 17 de abril de 2010

Desabafo - parte 1

Estou sem escrever por aqui desde Março, creio eu. Certo que ninguém realmente lê isso daqui, então não faz tamanha diferença assim. O fato é que a alma já se foi em cada escrito, e se ela voltar desse "recesso", ainda vai demorar um tempinho.

Pois bem, estava a acessar algum blog"feliz" quando se depara com esse aqui? Que pena, acho que você não vai encontrar as notícias mais distantes do seu umbigo, como "fulano morreu" ou "ciclano jura amor eterno", sequer sobre roupas e outros. Tudo bem, ainda dá pra matar o tempo com alguma piada, alguma verdade.

Será que os sentidos representam um elo com o meio externo tão confiável? O que se associa ao ser ou não ser? Independente das respostas dessas perguntas, há de se aceitar que as únicas certezas na vida ainda são que nascemos e um dia morreremos, talvez o que dê margem a um fenômeno irreversível.

O tempo passa, parece que mais rápido quando se é velho e cansado. Vide, tempo é associado a deslocamentos (por exemplo, é o referencial que indica que tal movimento foi concluído ou não). Em partes, temos sua percepção aos sentidos tridimensionais como linear e dividido em blocos distintos: passado, presente e futuro.

O passado é, evidentemente, o que já fora realizado e por suas circunstâncias não pode ser repetido exatamente (não volta). O presente representa vagamente o momento atual, algo em constante manutenção, já que o presente sempre se torna passado. O futuro, por sua vez, é a gama de possibilidades que existem em torno do movimento seguinte, e é construído por cada decisão tomada.

Acostumamo-nos com essa interpretação, e também com a de espaço. Desde que você nasceu, já há um relógio biológico operante e aos poucos sua visão vai ganhando forma. Talvez quando você era mais novo, via um filme de maneira diferente, muito em parte pela maturidade ou experiência adquirida com a vida. Vale lembrar que a experiência também é um navio com os faróis apontados para traz.

O irônico é que, por mais que haja uma gama de possibilidades infinitas abertas para as decisões tomadas, há também o que já fora determinado pelo código genético. Como o seu nariz pode parecer, seus traços e muita coisa de comportamento. Acredita-se que algo em torno de 75% da personalidade é determinada pelos laços familiares e o meio.

Desprezando qualquer conotação religiosa, já pensou na existência de planos (ou percepções, se preferir) diferentes? Talvez superiores não seja um termo tão certo, por hora, diferentes. Já foi dito ainda nesse blog sobre a questão da memória, mas vale reforçar que é selecionada pelo mesencéfalo o que é considerado importante. Uma linha tênue entre o subjetivo e objetivo, a memória é parcial e construída aos poucos pela interpretação do que é considerado lembrança.

Quem sabe em alguma outra dimensão, agora você esteja nascendo? Quem sabe você não é um olhar que se firmou nesse corpo aqui na Terra, um sonho que um dia será despertado na sua própria existência? Termino essa ladainha no próximo post, acho que você pode procurar sob outra perspectiva o blog "feliz".