sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Código

Lá estavam envoltos naquela dança singela. Em meio a palavras de semântica tacanha e vetusta, o gelo se rompeu em um movimento brusco e magistral. Com tamanha mistura de códigos e vagamente sincera, podia se ver uma idílica sinergia lexical.

Era uma celebração que permaneceria como uma trova até o cair do sol, apesar de o status quo de seus participantes ser de extremo prazer. Uma simbiose que se fazia por cada relação dos conceitos, um diálogo em sua maneira ? Havia harmônia entre eles, uma equação perfeita. Será que o sempre seria sempre assim?

A ternura daqueles participantes era volátil. Será que átomos não morrem? Segundas são iguais, mas naquele momento os segundos não eram unidirecionais, e cada impulso nervoso era coordenado de maneira à desproporcionar os contínuos espaço-tempo. Carícias dóceis por cones e bastonetes também eram bem vindas.

Por fim, o silêncio (que é igual para todos, mas tem como principal referente o contexto) foi quebrado. Após sentarem no topo do mundo, uma grande depressão assolou ambos. Com a falha na linguagem, só restaria uma maneira de restabelecer uma atração entre aqueles dois códigos: um beijo, que representa o caminho mais doce de ascender a dinâmica entre os corpos quando palavras são desnecessárias. As máscaras caem e a linguagem, até certo ponto vaga, amplia a semântica daquele caldeirão cultural.

Duas almas numa dança etérea transformam-se num "pas de deux". É a paz dos deuses...

sábado, 2 de janeiro de 2010

Étoile... Uma casa aquarela

Mescla de cores, semânticas, era aquele lugar. Sinestesia... Sinergia.
Era uma preciosidade única, enquanto a crueza daqueles que amava jogava-me pedras e flores.
Um lapso inconsciente? Talvez, mas se banhasse minha vida com certezas, a maior naquele momento seria que o contexto é uma mentira ainda maior. Agora, era azul. O verde, cinza.

Um copo com leite e cacau. Aquilo com certeza romperia o equilíbrio em relações traçadas para uma linguagem maior, mas era confortável. Uma função da linguagem, emotiva. Doce endorfina que pairava no céu.

De repente, em meio àquela confraternização, um insight idílico em um suspiro de memórias. Bela nostalgia, uma fuga que podava o inútil para a chegada de uma conclusão. Em uma música alta, fazia-se o eufemismo que rondava aquela cápsula absolutamente segura, e de maneira sutil: fugir do algorítmo abstruso e ver além, ter uma breve sensação de controle sobre a morte (talvez a mudança) e que de tudo se apoderava. Buraco negro... Era 6 de Janeiro.