Lá estavam envoltos naquela dança singela. Em meio a palavras de semântica tacanha e vetusta, o gelo se rompeu em um movimento brusco e magistral. Com tamanha mistura de códigos e vagamente sincera, podia se ver uma idílica sinergia lexical.
Era uma celebração que permaneceria como uma trova até o cair do sol, apesar de o status quo de seus participantes ser de extremo prazer. Uma simbiose que se fazia por cada relação dos conceitos, um diálogo em sua maneira ? Havia harmônia entre eles, uma equação perfeita. Será que o sempre seria sempre assim?
A ternura daqueles participantes era volátil. Será que átomos não morrem? Segundas são iguais, mas naquele momento os segundos não eram unidirecionais, e cada impulso nervoso era coordenado de maneira à desproporcionar os contínuos espaço-tempo. Carícias dóceis por cones e bastonetes também eram bem vindas.
Por fim, o silêncio (que é igual para todos, mas tem como principal referente o contexto) foi quebrado. Após sentarem no topo do mundo, uma grande depressão assolou ambos. Com a falha na linguagem, só restaria uma maneira de restabelecer uma atração entre aqueles dois códigos: um beijo, que representa o caminho mais doce de ascender a dinâmica entre os corpos quando palavras são desnecessárias. As máscaras caem e a linguagem, até certo ponto vaga, amplia a semântica daquele caldeirão cultural.
Duas almas numa dança etérea transformam-se num "pas de deux". É a paz dos deuses...
Adorei. E ainda acho que a linguagem é justamente a máscara que vestimos, por isso, quando a retórica descansa e falamos com o olhar, nossa alma realmente aparece. :)
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