quarta-feira, 5 de maio de 2010

O Walter Rego

O dia esta se esvaindo e de repente estava eu, apenas um humano, comum, mortal e de encontro comigo mesmo. Arrisquei uma pergunta:

- Tem alguém aí?

Um silêncio debochado foi tudo o que tive como resposta. Juro ter ouvido um risinho maroto.

Toc! Toc! Toc! Opa, agora era de verdade. Alguém estava batendo e o som vinha... de dentro do meu corpo?

- Quem é você? O que quer de mim? Apareça!

- Rego, Walter Rego. Infelizmente, não posso me mostrar pois não tenho existência, apenas localização. Eu continuo a viver por você quando está inconsciente. Ou seja, você vive o dia a dia e eu vivo o sonho a sonho, pesadelo a pesadelo.

- Vai dormir!

- Não durmo.

Mais cedo ou mais tarde aquilo aconteceria: o dia em que confrontaria a mim mesmo. Teria que lutar comigo? Seria possível domesticar o meu ser? Todos temos segredos que não contamos nem a nós, temores que nos acompanham pela vida toda e sonhos que sabemos que nunca se realizarão.

- Lembra que antes de nascer, você assinou um contrato? Agora não adianta querer rever as cláusulas!

- Achei que fosse óbvio tentar modificar algumas cenas...

- ... os nossos óbvios são diferentes, entendeu?

- "Marromeno"...

- O cheque mate vai ficar para o próximo pesadelo, bonitão.

- Tá, então. Tchau! Um "cardiósculo"!

- Calma aí! Não é bem assim.

- Por que não volta para seu lugar e voltamos a viver como dois?

- Nem pensar! Como é que você vai viver sem suas fantasias? Por falar em fantasia, naquela selva...

- Tá bom, podemos viver como Tarzan e Jane.

- Só uma coisa: mim Tarzan, tu Jane! HAHAHAHA

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