As sombras dançavam por todo lado. Onde e em que elas passam são comovidos por seus movimentos, alguns delicados e acolhedores e outros capazes de tornar um ser seu próprio inimigo. Como um Ballet da Libertação, o que era passado por elas agora era único.
Não existia o nojo pelo alimento, a repulsa e o gosto. Existia a necessidade básica satisfeita, apenas. Não existia alguma incapacidade emocional maior, existia o aprendizado sem a cobrança de um circo de palhaços irracionais. Talvez fosse maior que o estado da estrela, maior que o tempo.
O pequeno quarto decrépito e devastado pela própria desagregação do momento era o palco para a dança de ideias. Como uma ideia, se bem introduzida, pode contaminar alguém... Parti para o delírio de pensar além do fim, já que não é bom se espantar pelo que é colocado sobre esse marco. De fato, até a ideia de fim se liga com o tempo.
Algo semelhante a um canudo com muitas asas, claro e veloz passa pela projeção quase cinematográfica da janela para quebrar o que era muito além de um simples vício. Doce ilusão... "Transfira seu prazer! A energia é constante assim." Disse o traço intrigante que quebrou a dança. Se todo homem dissesse o que sabe, se o seu modelo fosse verdade...
Sinos dourados gritaram o pensamento cinza. O gosto voltou, assim como o choro da alma com cada gota da chuva de metano em Titã, baixíssima temperatura e extremos potencializados nas estações. O que poderia fazer ainda era contemplar o conhecimento sem culpa. Culpa...
Chorei então quando desprendi esses últimos laços que seguravam a casa aquarela, era o ar. Já sabia que agora o rei era as fezes do mendigo, o cachinho da menia, o sentimento que aqui nasceu e morreu. Seria agora tortuoso pelos caminhos errantes?
wow XD
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