Eram sussurros, que acariciavam, pulsavam e seduziam ao toque. Sozinhos, a olhar o cruzamento entre as paralelas do destino. Entre quatro paredes úmidas e fendidas seria o suficiente para infindo surto. O homem só se olhava no espelho e com uma inocência irônica tentava manipular o reflexo.
Grasnou qualquer coisa, seja para que o grotesco estrondo dentro de si cessasse ou só para ser desagradável mesmo. Precisava fazer alguma coisa, precisava fugir de si. Olhou, pegou, bocejou, se coçou, caçoou... estava feito, iria fazer algo.
Não poderia ser. Era estrambólico demais, logo para ele. Já até sentia a sátira alheia sobre sua alma perdida. Por que logo ele? Por que... com aquilo? Deveria ser tédio demais, ah, se era. O reflexo, que continuava a encará-lo, queria ir embora. Era o fim.
Deveria escolher um lugar que o deixasse com alguma liberdade para acabar com aquilo o mais rápido possível se fosse necessário. No divã? É óbvio que seria difícil sentar-se depois, mas iria ficar parado e descansar. Talvez isso seria um incômodo. Será que causaria alguma ferida?
A atmosfera estava favorável. Não haveria outra escolha, já separou aquele objeto fálico mesmo. Agora não poderia fisicamente se arrepender. Contando até três para o movimento final. A família, os amigos, o seu "eu" do homem branco corporativo e maduro não iriam aceitar. Não precisavam mesmo entender, gostava da ideia.
Um - posicionou os joelhos para que o resultado fosse melhor. Dois - coordenava os braços, portadores daquele "frasco" de quinta categoria que o consolava, com as pernas. Dois e quase meio - Tem certeza? Por isso fechou os olhos, era agora. Três... pernas e cabeças voando no logradouro marrom-cinza debaixo da janela da clínica, acertou uma senhora que a pouco lamentava os parágrafos que a vida escreveu para ela. "Filho da puta!". Correu e deu uma risadinha. Era uma vez o reflexo envergonhado de um terapeuta ocupacional.
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