Três dias de chuva torrencial e ventos carregados. Uma energia se desprende e o primeiro dado é lançado: a existência começa pequena e imperceptível no mar de metano de Titã. Extremamente simplificada, pois o ciclo de metano não pode comportar algo maior ainda.
Sem uma atmosfera adequada para desenvolver o que nela é inscrito e sem alguns dos compostos fundamentais para a sopa da vida, o que ocorreu foi inesperado. Aquela coisa, o que seria? Não dá para perceber com os sentidos humanos a concepção muito além do "puntiforme"na imensidão de hidrocarbonetos. Há quem nem chame de vida.
Faz algum tempo que a primavera no sul de Titã acabou, após seus quinze anos de duração. Ah, o verão encanta em qualquer lugar! Mesmo com o frio... A expansão dos gases em um desafortunado organismo nesse ambiente seria letal.
Na falta de referência do horizonte, o principal medo é o fim. Até que ponto a matéria pode ser reciclada, para o bem ou para o mal? É assim que abstrações se desfazem, afinal, o próprio tempo é um guia de autorretrato para os movimentos que lançamos. Para aquele pedacinho perdido num meio que, de longe, parece bem maior...
Sem qualquer desejo maior que a mente, a vida se escrevia entre ácidos cianídricos e acetilenos. Em um jogo de xadrez empático, "aquilo" seria apenas mais um peão do destino, e não fugiu desse padrão. Quem dera se tomasse consciência de como é influenciado e selecionado...
Vulcões gelados, talvez um começo para aquilo que um dia será. Antes disso, o espetáculo "super novo" ganha mais um ingrediente: lá chegaram recados gravados em CD-ROM para futuros turistas espaciais. E assim se constroi mais um pixel da grande interrogação na fábrica de impulsos nervosos.
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