- Acorde e faça suas coisas! Não se esqueça de dar bom dia para a Sra. Wilson, que está aqui.
Roupas pra que te quero, degraus pra que te corro. Lá foi a bondosa Laura G. Beihrham, arrumou sua melhor cara para alguma simpatia com aquela visita. Acho que não era o suficiente... Enfim, vamos supor que a velha senhora Wilson a acolha com seus biscoitinhos de gengibre. Mais do que suficiente.
- Olá, Sra. Wilson! Lindo dia, não?
- Pequena Laura! Meus olhos de tempos passados não enganam mesmo. Como você cresceu!
Está à cara do seu querido pai. À propósito, acho que vai chover hoje...
Estava com pressa, os Beihrham eram normais mesmo. Sempre com pressa, e Laura não seria tão diferente assim. Um "tchau" para os olhos irrefutáveis da experiência, dois biscoitinhos e uma condução escolar lotada de "crionças". Não necessariamente com pontualidade tão admirada, mas pelo menos ia rápido.
Para aqueles que se interessam: uma blusa quadriculada amarrotada, Calvin Klein rasgada da última moda (linha ecológica) e algum tênis velho que pegou pelo caminho... espera, eram os tênis de caminhada de seu pai, usados. Aos 16 anos, Laura ainda ia no ônibus amarelão pra escola, cada vez mais emburrada.
Após várias balançadas, uma criança vomitou. Outra urrou qualquer coisa e jogou algo, que foi parar na cabeça da menos baixa daqueles lá.
- Laura cabeça de bosta, peido de porco!
Ela levantou e ia falar qualquer coisa, já farta com a situação. Um grito pairou no ar:
- Por favor, não mate as crianças! Nossa cidadezinha nunca teve um atirador sequer...
- Wayne, não mente para os mais novos e Laura, abaixa... isso.
Uma granada de brinquedo foi parar na sua mão.
- Só se me deixarem por aqui hoje!
Vitoriosa, a moça desceu do ônibus, perto de uma loja de lembranças. Mal aguentava aquele cheiro de massinha de modelar e algo com álcool do motorista, o famoso "Manobra Radical". O peso da mochila era grande, mas pelo menos sua estima estava em riba. Bem igual àquela vez que ela estava pantagruélica e não comeu a merenda de sua mãe, que segundos depois foi parar em sua própria cabeça.
Chegou suada e esbaforida, ainda vitoriosa. O Elroy conseguiu de alguma maneira que não convém ser mencionada colocar o sino do colégio ao som daquela conhecida do Psicose.
- Moedas a mais no bolso da blusa,ou você só está feliz em me ver?
- Argh!
- O Elroy é um trouxa. - Passou pela mente da menina, seguido por: - ... gosto do jeito dele, como um passarinho tão desajeitado e maltrapilho que não levantará voo.
Ela mal suportava a presença física do rapaz suado que roubava o perfume da avó. Clichê, não concorda? Deixo essas palavras para algum estoriador, esse casinho pouco importa.
Mortimer, o inspetor, escorregou feio dessa vez. Estava lá desinteressado, só para chamar os alunos para a aula de Física do dia. Para os alunos, "o amorzinho da gangue" e para a diretoria "o maluco desajeitado que era mais barato".
O quadro negro da Ausburn Grammar School conheciam bem Beihrham e as Pioneiras. Elas não
mandavam na escola, mas tinham um baita moral com a educação infantil.
- Laura peido de porco! Volta aqui!
- Elroy gonorreia! Tem aula agora!
- Ah, mas não é de Biologia.
Laura olhou para Maureen, uma das Pioneiras (que tentou forçar uma cara de má... forçou demais) e disse:
- O assassinato é o suicídio em que os expectadores morrem. Maureen, hora de fazê-lo aprender sobre vetores.
- Eu? Por que eu?
- Você acha que eu não percebi? Enfim, não importa.
Maureen e Sally fizeram o favor de derrubar o "gonorreia" e alguns outros moleques aleatórios. Uma cara de má de vez em quando faz bem, o medo é uma arma propícia da virtude.
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