sábado, 24 de julho de 2010

Onirismo

Uma sala iluminada em degradê, sem nada. Uma pessoa qualquer, você. Camisa limpa, sapatos novos, uma fuga. Era hora de cortar tudo o que era inútil, previsível, com um gesto só. Era quase que silencioso, exceto por vozes sussurrando qualquer bobagem que ninguém nunca quer ouvir.

Havia um clima festivo e bucólico no nada, e você deveria tomar uma única decisão pra sair de tudo isso. Um gesto, é o que todos querem. O problema não está em ser ou não ser, e sim quando não se encontra em nenhum dos dois. Uma Magnum, a cabeça. Por um minuto, você percebe que era só o seu molde em cera estendido no chão.

Pense, respire... Talvez ajeitar-se em seu recinto ou até... sobrevida em cinza com "amaníaco". Você corre daquela cena e sai numa avenida larga, com cores, dores e horrores. Você vê o que todo mundo é, vários flashes cinematográficos simultâneos. Era um choque ver bonecas de carne que só serviam para demonstrar tecnologia cobertas em fluidos aleatórios. Era a moda. Só porque você é paranoico, não significa que seus medos não aparecem quando você os chama.

Chegou a um jardim amplo, um corte que sangra, o beijo que escarra. Você estava só, sem paredes que sugam seu pouco oxigênio. Era o mais belo raio de sol, sem qualquer presença humana. Era 4 de Julho, com uma sala iluminada em degradê. Nada.

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