"Hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta".
Duas solidões de leitura abriram a mesma porta.
Antes que a lembrança ou pesadelo se parta,
Revivo e me pergunto se ainda importa.
Um vulto, um intruso em meu aconchego
E a carta discretamente tinha que ser escondida.
Escondida, mas não esquecida. Será que um dia foi lida?
Coisas que não existem pelas quais temos apego...
O vento leva consigo as estações.
Já o tempo, dilui as emoções.
Cartas são escritas em papel ou não
Mas sempre lidas pelo coração.
Vejo as ruas passarem por mim
Ondas vão e voltam assim, assim.
Pessoas sem pressa, mas ainda sim
Querendo sempre chegar a um fim.
Livros e cartas tem diferenças iguais
Não são para todos, como jornais.
Ah! Doce é pensar naquela dor que nos unia
Pela manhã, imaginar que fosse virar ironia
Tal qual aquele amor que nos destruía
Hoje, é mais outra triste fantasia.
Passamos a vida construindo
Mas nada vale após ter partido.
São só as verdades sem sentido.
E se ele estiver mentindo?
Entre duas páginas de um livro, um abrigo.
Uma velha carta retorna ao seu velho amigo.
Lá dentro, velhos segredos, velhos medos.
Aqui fora, um dia cinza, uma vida cinza.
Nenhum comentário:
Postar um comentário